Publicado por: TDM | 8 de fevereiro de 2012

Tradições

Como seria perder os conhecimentos que adquirimos? Mudar de vida? Não num clichê medíocre de mudar de roupa, carro ou casa…mas ver perder sua identidade existencial.

Como seria receber uma ordem determinando que  não pudéssemos mais consumir cerveja ou churrasco? Difícil imaginar uma ação tão atroz que impossibilitasse a realização de nossas tradições, mesmo que um simples churrasco.

Mundo afora temos testemunhado o extermínio de incontáveis tradições. E isto não resulta apenas em padrões alimentares ou religiosos. Um exemplo e a própria Congada da Lapa, parcamente conhecida e ainda, arduamente, tentando manter suas práticas.

Outro exemplo contundende é o que foi documentado pelo Projeto Endurance Voices, estimando que a cada 14 dias uma língua é extinta. O que perdemos com  isto? Nós mesmos!

Na edição de fevereiro de 2012, a revista National Geographic traz uma matéria sobre os últimos povos seminômades de Papua Nova-Guiné. A pesquisadora Nancy Sullivan trabalha na região a mais de 20 anos na tentativa de promover ajuda a estes povos que estão na iminênicia de perder suas tradições.

Assentamento_Negev

TDM. 2009

Outro exemplo que me recordo é a dificuldade do governo israelenese em estabelcer áreas oficiais para os povos beduínos do Deserto do Negev. Afinal, hoje eles não ‘podem’ ser mais mercadores seminômades. Visitei um assentamento irregular que já estava com o aviso de processo de demolição. E antes de julgamentos, lembre-se da situação da curva grande do Xingu e Belo Monte…

O Brasil é um caso tão real, que torná-se redundante falar em “extermínio” de populações tradicionais. Quilombolas e diversas etnias indígenas já existem a margem do nosso preconceito social. Quem aí já não lançou um “olhar desdenhoso” a um kainkang vendendo cestos no semáfaro?

Como é possível nossa impassividade? É possível porque ainda não  incomoda a nossa vida de classe média.

“Ao voltar, os homens sentiram que havia algo errado no ar. Um deles sentiu inveja, outro sentiu ódio, outro, raiva, e outro, tristeza. Foi quando os homens aprenderam todas as coisas ruins.” (Lenda meakambuts – NGM. Fev. 2012. p.125).

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